Carol…o meu maior presente, minha maior benção!!

Publicado em 2 de abril de 2013

OLá!!
Meu nome é Angelo, sou músico, tenho 42 anos, resido em São Carlos -SP, tenho uma filha autista, a Carol que acabou de completar 19 anos.
Meu primeiro contato com a palavra AUTISMO se deu no final de 1996, quando eu e minha esposa começamos a perceber um comportamento diferente em nossa filha que contava então na época com um pouco mais de 2 anos de idade…
Carol, começou a ter uma especie de regressão na fala, começou a se isolar de outras crianças, começou a ter um choro e gargalhadas sem motivos aparentes, se apegar a objetos esféricos, também não tinha mais o contato olhos nos olhos e a balançar a cabecinha e sacudir as mãozinhas…
Ficamos preocupados, eu e a minha esposa.
O que nos ajudou a agir rápido foi a orientação da neonatologista, sim, neonatologista, pois a Carol teve um parto extremamente traumático, infelizmente ou felizmente, o ginecologista sofreu um “ATAQUE DE BAGGIO” (Roberto Baggio, craque do futebol italiano que na copa de 1994 era uma das maiores estrelas do evento, jogou muito, mais na decisão dos penaltis contra o Brasil chutou a bola para o espaço e nos presenteou com o tetra) o ginecologista foi perfeito durante o pré natal, mais na hora do trabalho de parto falhou feio…ele tentou parto normal…não deu….tentou o fórceps…piorou…(A CAROL ESTAVA ATRAVESSADA),depois de tantos traumas e de um trabalho de parto de quase 3 horas ele resolveu fazer a cesárea… A neonatologista me chamou…A Carol nasceu prematura de 8 meses, era um bebezão, 3980 kg de peso distribuídos em 52 cm, mas…sofreu uma anóxia cerebral das mais profundas!!!
A neonatologista foi até um pouco fria e dura comigo na ocasião, mais eu só tenho a agradecer a ela, pois nos ajudou muito, ela chegou e me disse que a minha filha em virtude de todo o sofrimento durante o parto teve essa anóxia cerebral e que isso lhe deixaria sequelas neurológicas irreversíveis, disse também que só conseguiria-mos diagnosticar alguma coisa entre o 2º e 3º ano de vida, que ela gostaria de acompanhar o desenvolvimento da Carol, e, assim que pudéssemos perceber algo de “diferente” que nos orientaria como agir…e assim foi mesmo que aconteceu.
Em agosto de 1996 a Carol apresentava as mudanças de comportamento que já citei bem acima, então a Neonatologista nos sugeriu que procurasse-mos uma entidade na cidade de Ribeirão Preto, chamada, INSTITUTO ANN SULLIVAN, pois ela, a neonatologista, suspeitava de que a Carol pudesse ser autista.
Em setembro de 1996 eu, minha esposa e a Carol fomos ao ANN SULLIVAN, fomos muito bem recebidos pela a DRA. MARGUERITA (MAGUÍ) e toda a sua equipe.
Em maio de 1997, nove meses após várias avaliações por parte de psiquiatria infantil, neuropediatria, psicólogos, terapeutas ocupacionais e psicopedagogos, eu e a minha esposa fomos chamados por toda essa equipe…parecia uma roda viva…
Ouvi assim…Angelo, a sua filha é autista…
Me senti paralisado e sem ação na hora, perguntei, e aí? o que temos que fazer agora? De pronto eu e a Alesssandra (esposa) fomos acolhidos por essa “junta” médica e começamos desde então a receber orientações, carinho e suporte.
Tenho uma revelação que pode até chocar, mais eu não tenho vergonha nenhuma de admitir que mesmo de forma inconsciente, eu, o PAI da CAROL, fui a primeira pessoa a discriminar a minha filha!!
Sim, discriminei, pois a partir de então, passei a ter vergonha de sair com a Carol em eventos, ou até mesmo levar ela comigo no “sacolão” da esquina. Cometi um erro clássico, tentar esconder da sociedade que tinha uma filha diferente, minha cabeça ficou muito confusa. Na época, me revoltei até com Deus, não aceitava, não me conformava….ainda bem que a mãe (MÃE É MÃE MESMO!!) não teve a mesma postura que eu tive, a Alessandra parecia que daquele momento em que nos foi revelado que a CAROL era autista, exerceu um amor materno muito mais amplo do que o natural, ela teve a percepção de que eu estava tendo dificuldade e enfrentou com amor pleno tudo aquilo.
Porém, com o passar dos tempos comecei a mudar, lógico!!! O apoio do pessoal do ANN SULLIVAN foi primordial além da paciência e dedicação da minha esposa, comecei aos poucos a aceitar e a enfrentar a mim mesmo, até que um dia me dei conta da forma que eu estava agindo, me senti muito mal comigo mesmo, me deprimi, me xinguei, pedi perdão a Deus, a minha filha e a minha esposa. De quando a Carol completou 4 anos de idade até o presente momento, tenho alegria, orgulho, satisfação e desejo de sair com ela seja onde for, qualquer evento social que seja, ela é a minha filha, meu tesouro, minha benção, é o anjo que Deus me enviou para fazer com que eu me tornasse um homem de verdade, um pai, um esposo, um amigo melhor…
A cada dia da minha vida, a Carol me ensina alguma coisa diferente (lágrimas de emoção) E fantástico e indescritível ser pai de uma autista. Sabe por que? Porque o exercício de amor, afeto e carinho são diferenciados de um filho convencional e faz com que você como pai também possa exercer da mesma forma o carinho a atenção e dedicação a filha convencional, temos a Letícia também, hoje com 13 anos de idade, a Letícia é convencional, mais o amor que impera em nosso lar talvez não fosse da forma que é por causa da Carol, aqui todo mundo se ama, se dedica um ao outro o tempo todo e todos os dias aprendemos uma coisinha a mais sobre as coisas do amor em família.
Tem inúmeras histórias da Carol, que se o espaço me for dado estarei relatando aqui, mais o que quero deixar como mensagem é que para cada um de nós que somos pais, não podemos nos desanimar nunca, ao ter-mos dificuldades, que busquemos ajuda, apoio, mais que possamos cada um de nós exercer e desfrutar plenamente da benção, do privilégio de convivermos com os autistas e de provar que mesmo com as dificuldades é possível fazer com que eles não vivam apenas no mundinho deles e que é possível sim eles viverem no nosso mundo, basta cada um de nós permitir que isso aconteça!!!