Hector, Eu e o Autismo

Publicado em 21 de março de 2015

Hector, Eu e o Autismo

Sou professora auxiliar, e fui contratada para trabalhar com um aluno de inclusão, como informação eu só tinha que era dentro do aspecto autista, que nunca havia estudado e que tinha 9 anos.

Mas aí eu sabia que não poderia conhecê-lo de mãos abanando, então fui pesquisar e pesquisei por longos dias até que soubesse tudo ou quase tudo sobre o autismo.

Aí quando o conheci algo mágico ocorreu, percebi quão maravilhoso era trabalhar com um aluno azul, apliquei técnicas.

A principio depois de ver que era asperger, baixei em meu próprio celular músicas de Mozart, Chopin, Beethoven, e inclusive músicas de gostos pessoais dele, rock instrumental. Minha ânsia por aprender e aplicar era motivadora, eu ouvia de outros profissionais que dava gosto me ver trabalhar.

Com muita dedicação, consegui inclui-lo. No primeiro dia de aula levei tirinha do Maurício de Souza para a turma saber como era este novo coleguinha, ele assistiu junto e demonstrou carinho e afeto, construí uma rotina concreta para que pudéssemos nortear as atividades em sala, utilizava um fone fornecido pela escola, e em momentos de stress, colocava associado as músicas baixadas, com o tempo ele associaria o prazer da música ao momento de socialização. E ocorreu, eu também explorava seu dons, ele possui altas habilidades em desenhos desenha divinamente, e sua fixação é com monstros, ele não frequentava o banheiro da escola, mas aí eu fiz um cartaz do Bob Esponja pra ele no banheiro, sempre entrando em seu mundo, conseguia fazê-lo partilhar do nosso.

Na escola tinha um projeto show de calouros, eu ensaiava com ele músicas, e a primeira foi Alfabeto da Turma da Mônica,  ele subiu ao palco e cantou muito bem, boa dicção, e ótima memoria, era capaz com 2 meses de trabalho trocar as palavras da música por outras com o mesmo início. Também comecei a trabalhar com ele informática, ele não possuía computador, mas ensinei o básico, e utilizava DVDs musicais onde ensinava alfabeto, vogais, sílabas, comportamento, leis de trânsito, reciclagem e tudo era instigante pra nós dois… Após a assimilação das imagens e dos sons, partíamos para o papel, e apesar da alta de habilidade com a escrita presente nos alunos com TEA, ele já conseguia escrever, e logo aos 4 meses estando na escola construiu sua primeira frase, a família estava vibrante,  foi possível inclui-lo no ambiente escolar, dar ânimo e esperanças a família, sem contar na evolução cognitiva que Hector desenvolveu. Fazia parte da rotina do Hector, ao chegar e ao sair escolhíamos um colega para abraçar. Ao longo das aulas isto era muito prazeroso,  a influência positiva e afetuoso que se criou na turma foi contagiante, o apoio da professora regente e das professoras de áreas foi de suma importância, mas quando percebi, estava tão envolvida que acabei indo me especializar ainda mais, estou cursando Educação Especial.

Não foi por acaso que houve o encontro entre Hector, Eu e o Autismo.

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